Fashion Kids

Afeto e cuidado são essenciais para a formação de seu filho

As experiências que a criança vive em seus primeiros anos vão deixar efeitos ao longo da vida.

Você sabia que amor e carinho são essenciais para o desenvolvimento de seu filho? Um estudo publicado pela Child Psychoterapy Trust, na Inglaterra, aponta que as experiências vividas na primeira infância afetam a formação do cérebro da criança em áreas relacionadas com a empatia e as emoções.

Cuidado adequado, forte ligação com pais e familiares e ambiente tranquilo. Tudo isso vai deixar efeitos ao longo da vida da criança, principalmente na forma como ela irá se relacionar com outras pessoas no futuro.

Bons exemplos e um bom relacionamento entre os pais também são essenciais para o desenvolvimento emocional dos pequenos.

Amor, carinho e cuidado ajudam no desenvolvimento emocional das crianças nos primeiros anos de vida.


Crianças no celular: quanto tempo devem usar e 7 sinais de excesso

  • André Biernath – @andre_biernath
  • Da BBC News Brasil em Londres

Quase 90% das crianças e dos adolescentes brasileiros estão conectados à internet. Desses, 95% usam o celular como principal dispositivo para acessar sites e aplicativos.

Esses dados, obtidos a partir de um levantamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil, endossam o fato de que o mundo online faz parte da realidade da maioria da população — e é praticamente impossível pensar que essa “dependência digital” vá diminuir nos próximos anos (ou nas gerações futuras).

Por um lado, a internet pode aproximar as pessoas e abre muitas possibilidades de aprendizado e entretenimento. Por outro, há o risco de exagero no tempo conectado, de acesso a conteúdos inapropriados ou de golpes e exposição indevida, ainda mais quando falamos dos jovens.

Mas como pais, mães e tutores podem garantir que seus filhos façam um uso mais saudável de celulares e outros dispositivos? E como identificar quando essa relação com as telas passou dos limites?

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A BBC News Brasil ouviu especialistas no tema e resume a seguir os sete sinais de que há algo errado e o que pode ser feito para melhorar essa relação com o mundo digital.

1. Ficar muito tempo vidrado nas telinhas

A fonte da maioria das recomendações é uma série de artigos publicados entre 2019 e 2021 pelo Grupo de Trabalho Saúde na Era Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

“E todas as nossas diretrizes estão alinhadas com as orientações divulgadas pelas academias de pediatria dos Estados Unidos, do Canadá e da União Europeia”, ressalta a médica Evelyn Eisenstein, coordenadora do grupo brasileiro.

O primeiro ponto que os especialistas chamam a atenção envolve a quantidade de horas que crianças e adolescentes passam conectados.

No mundo ideal, o limite de tempo em contato com celulares, tablets e computadores é determinado pela faixa etária, como você confere a seguir:

  • Menores de 2 anos: nenhum contato com telas ou videogames;
  • Dos 2 aos 5 anos: até uma hora por dia;
  • Dos 6 aos 10 anos: entre uma e duas horas por dia;
  • Dos 11 aos 18 anos: entre duas e três horas por dia.

“Precisamos lembrar que o dia tem 24 horas. Se o jovem fica 4 ou 5 horas conectado, isso já representa 20% do tempo disponível”, calcula Eisenstein.

2. Ter acesso a conteúdos inapropriados

Mas não é apenas com a quantidade que os especialistas estão preocupados. Eles também pedem muita atenção com a qualidade dos conteúdos que os jovens acessam.

“Estima-se que metade dos pais não tem ideia do que seus filhos consomem na internet”, informa Eisenstein.

“E as crianças não sabem bloquear mensagens indevidas, enquanto o mundo online está cheio de agressores e predadores”, complementa a pediatra.

A orientação, portanto, é supervisionar a atividade dos menores em sites e aplicativos. Muitos celulares e serviços online, inclusive, possuem ferramentas e filtros que permitem esse controle parental.

A SBP orienta que crianças e adolescentes não utilizem computadores, tablets e celulares em lugares isolados da casa, como o quarto ou o escritório, mas, sim, em locais onde os adultos estejam sempre por perto.

3. Trocar o dia pela noite

Quando o contato com as telas ultrapassa todos os limites, um dos quesitos mais prejudicados é o sono.

“É normal vermos crianças que ficam jogando ou mexendo nas redes sociais até altas horas da madrugada”, conta o psicólogo Thiago Viola, professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

“E nós sabemos como o sono é importante para nossa saúde, ainda mais durante a infância e a adolescência”, completa.

É justamente durante o descanso noturno que o corpo se desenvolve e o cérebro solidifica as memórias e os aprendizados.

Quando o jovem troca o dia pela noite, todos esses processos são prejudicados, o que pode trazer repercussões para a vida inteira.

“O ideal é limitar o contato com estímulos luminosos que vêm das telas conforme anoitece”, orienta o médico Rodrigo Machado, do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“A luz prejudica a produção da melatonina, hormônio que dita o ritmo de 24 horas do dia. Sem a presença dessa substância, todo o processo do sono acaba atrasado”, explica.

4. Abandonar o convívio, a rotina e as atividades sociais

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Outros sinais típicos de que o jovem está exagerando no tempo de telas é o abandono, parcial ou completo, de todas as atividades fora da internet, como as práticas esportivas, culturais e de lazer.

Outro sintoma preocupante é a substituição do convívio com amigos, pais ou familiares pelos jogos de videogame ou a interação pelas redes sociais.

“Esbarramos mais uma vez na questão do limite: quando o uso do celular faz com que as crianças ou os adolescentes deixem de cumprir as funções básicas, como comer, dormir, tomar banho, preparar a lição de casa ou fazer atividade física, algo está errado”, exemplifica Eisenstein.

Os especialistas dizem que a rotina e o estabelecimento de regras claras é fundamental nas primeiras décadas de vida e deve incluir aqueles que estão na primeira infância.

“Nesse contexto, os pais de crianças menores não podem usar o celular ou o tablet como uma ‘bengala’, para deixar a criança entretida enquanto eles fazem outras atividades”, destaca Viola.

Muitas vezes, esse acesso ilimitado às telas numa idade tão tenra é o início de um processo que vai desembocar no uso abusivo de dispositivos eletrônicos pelos anos que virão.

5. Sofrer uma queda no rendimento das aulas

O documento da SBP também pede que pais e tutores prestem atenção na “queda do rendimento, fracasso, abandono ou evasão escolar”.

Observe, portanto, se a criança ou o adolescente está passando muitas horas na frente do computador ou do celular e, em paralelo, as notas e o comportamento em sala de aula sofreram alguma alteração.

Em alguns casos, é possível que exista uma conexão entre esses dois fenômenos.

“E não podemos ignorar o fato de que as escolas e os educadores têm uma responsabilidade em toda essa discussão, ainda mais quando estamos numa pandemia, em que muitas atividades escolares precisaram acontecer à distância, por meio dos aplicativos de videochamada”, contextualiza Eisenstein.

6. Estar envolvido em episódios de bullying

É preciso ficar de olho neste tipo de discriminação no mundo físico e no digital — e tanto agressor quanto vítima precisam de cuidados.

“A criança mais velha e o adolescente podem ser alvos de cyberbullying e passar por um processo de ‘cancelamento’ de todo o círculo social”, descreve Viola.

“Em alguns casos, fotos, vídeos e detalhes íntimos do alvo caem na rede, o que vai gerar muitas repercussões emocionais e psicológicas”, alerta.

Machado lembra que o mundo digital pode propiciar um comportamento mais agressivo dos usuários. “Como você não vê a reação do outro, acaba se sentindo mais à vontade para compartilhar emoções primitivas, sem um freio crítico ou moral”, raciocina o psiquiatra.

“Ou seja: há uma propensão em perpetuar e naturalizar comportamentos extremados nas redes”, complementa.

A melhor ferramenta, garantem os especialistas, é a prevenção: pais e tutores precisam ficar atentos e orientar os mais jovens como se comportar nessas situações.

Quando o bullying escalou e já atingiu um nível mais grave, muitas vezes será necessário envolver os familiares de agressores e vítimas, representantes da escola e algum tipo de mediação feita por psicólogos ou outros profissionais que atuem nessa área.

7. Desenvolver problemas no corpo e na mente

O uso excessivo de celulares e outros dispositivos conectados à internet pode dar as caras em uma série de sintomas e doenças. A SBP lista alguns nas diretrizes publicadas nesses últimos anos:

  • Transtornos do sono, como insônia;
  • Transtornos alimentares, como bulimia e anorexia;
  • Sedentarismo;
  • Obesidade;
  • Dores de cabeça;
  • Dores musculares relacionadas à postura;
  • Irritabilidade, agressividade e condutas violentas;
  • Ansiedade e depressão.

Uma parcela desses incômodos está relacionada com o tempo prolongado de inatividade. Quem fica muitas horas sentado na frente de um computador, por exemplo, possui menos tempo para fazer exercícios físicos e pode sofrer com dores nas costas pela postura inadequada.

Outra parte dos sinais, porém, tem um fundo emocional e afetivo. “O acesso a conteúdos sobre emagrecimento e a busca de um corpo idealizado aumenta o risco de transtornos alimentares”, cita Eisenstein.

Como resolver esses problemas?

Considerando o fato de que os celulares são parte da rotina da vasta maioria das pessoas, será que é possível ter uma relação mais saudável com a tecnologia? E como identificar as situações em que o uso desses dispositivos ultrapassou os limites, especialmente na infância e na adolescência?

“A primeira intervenção é se desconectar aos poucos. De nada adianta castigar ou tirar o celular da criança ou do adolescente de forma brusca e definitiva”, aponta Eisenstein.

“E, claro, esse ato de se desconectar da internet precisa envolver todos os integrantes da família, não apenas os jovens”, destaca a pediatra.

Viola reforça a necessidade de estabelecer limites. “A criança e o adolescente precisam saber que podem entrar na internet por um determinado número de horas por dia.”

Por fim, vale reforçar que existem formas de identificar e tratar os quadros de vício no uso de celular e outros dispositivos eletrônicos.

“Se o jovem apresenta dificuldades nos âmbitos social, profissional, educacional ou familiar, é necessário buscar a avaliação de um profissional de saúde”, orienta Machado.

Para os casos em que há diagnóstico de um transtorno, como uma dependência de videogames, é possível intervir por meio da terapia cognitivo-comportamental, uma abordagem da psicologia que busca analisar, racionalizar e propor intervenções nos hábitos e nos pensamentos do paciente.


MERCADO INFANTIL

Mercado infantil é assunto de gente grande e cresceu com a pandemia

33ª edição da Feira Ópera,pela terceira vez no formato online, apresentando as novidades para a Primavera-Verão 2023.

O evento que reúne moda e decoração baby, kids e teen trouxe seu tradicional desfile virtual, além de palestras sobre o mercado infantil, que aliás, vem crescendo, mesmo durante a pandemia. E, para falar sobre isso, a consultora Tati Ganme, da empresa PetitLabô trouxe números e dados esclarecedores sobre o momento atual e o comportamento dos consumidores.

Na palestra “O mercado infantil é assunto de gente grande”, Tati relembra tudo o que aconteceu nesse último ano e como as marcas puderam se transformar nesse período.

Várias lojas fecharam, a matéria-prima ficou mais cara e escassa, o calendário de moda foi modificado, o que fez que muitas empresas revissem prazos, parcerias, tornando ainda mais flexíveis e ágeis. O digital, sem dúvida, foi uma das maiores conquistas inseridas no segmento, no Brasil todo, sem deixar de lado, é claro, a importância do fator humano nas vendas.

“O mercado infantil cresceu muito, não só em números, mas também em importância”, comenta Tati Ganme, que disse ainda que o setor provou ser um dos mais resilientes durante a pandemia por diferentes fatores, mas principalmente porque as crianças crescem e perdem roupas facilmente e, também porque acabaram tornando-se o centro das atenções com os pais e familiares dentro de casa.

Segundo Tati, o segmento ultrapassou, na China, a venda de vestuário adulto na segunda metade de 2020. “As motivações de consumo estão relacionadas à proteção, nutrição, conforto, cuidado e afeto”, relata a consultora.

Além disso, Tati ressalta que uma criança, após um ano de confinamento torna-se outra pessoa, principalmente quando é bebê. Elas mudam rapidamente e tem necessidades diferentes. Por tudo isso, há uma previsão de crescimento de 10% no mercado infantil, enquanto para o vestuário adulto, estima-se uma retração de 22%.

No Brasil, espera-se um crescimento de 6 a 7% para 2021/22, sendo que o país é o quinto produtor têxtil do mundo e o segmento infantil corresponde a 16% desse setor.

Tati revela que o gasto per capita com enxoval no Brasil gira em torno de 2 mil reais, é um dos maiores do mundo. “Somos o quinto maior mercado infantil no mundo, empregamos 350 mil pessoas em 2020”, afirma Tati. Em relação às vendas online houve um crescimento de 35% em 2020.

E para atender esse público que cresce cada vez mais, precisamos entender o que os consumidores anseiam agora:

• Conveniência e tempo, otimizando o momento da compra e valorizando o convívio com a família e as compras locais;

• Maior contato com a natureza e experiências ao ar livre, após tanto tempo de confinamento e isto pode influenciar nas referências aplicadas ao vestuário infantil;

• Realidade phygital cada vez mais forte unindo o físico e o digital que pode ser através de site, WhatsApp, Instagram, Facebook;

• Uma certa rebeldia para viver e aproveitar a vida;

• Obsessão por higiene com todos os cuidados que aprendemos;

• Maior consciência social e ambiental;

• Novos formatos de trabalho com mais tempo em casa;

• A preocupação por ajudar a construir um mundo melhor e isso também pode ser exigido através das marcas que consomem.

E as marcas? Quais caminhos devem seguir?

• Criar relevância, descobrir quais são os seus diferenciais e não o produto em si. “As pessoas não compram o nosso ‘o que’ e sim o nosso ‘por que’, que está associado às emoções”, afirma Tati.

• Inovar, buscar novas formas de pensar, produzir, de acessar esse cliente.

• Novas influencers que não necessariamente precisam ter milhões de seguidores no Instagram, uma mãe com todos os seus contatos pessoais pode influenciar outras na compra de um produto, por exemplo.

• Conhecer a sua audiência, não dá para falar com todos, é necessário segmentar.

• Assumir maior compromisso ambiental e responsabilidade social.

• Abrir a comunicação com seu consumidor em plataformas sociais onde acontece uma troca.

• Segmentar a comunicação, entende-la, compartilhar conhecimento e impactar a comunicação de forma positiva.

Tati destaca também as palavras-chave desse novo momento:

• Flexibilidade: se moldar às necessidades do mercado.

• Empatia/Conexão: se colocar no lugar do outro, não só do cliente, mas também do fornecedor, empresa….

• Agilidade: rapidez é essencial.

• Transparência: humanizar a marca.

• Tecnologia: cada vez mais importante para se comunicar.

• Sustentabilidade: “Quem não encontrar dentro de sua empresa uma forma de justificar a sua produção, a sua existência baseada no conceito de responsabilidade social e sustentabilidade, muito provavelmente vai pagar um preço alto”, comenta Tati.

A consultora acredita numa forte retomada devido também ao “efeito clausura”, onde surge uma sede de compra ainda mais neste segmento, onde a criança sai com outras necessidades do confinamento.

“Teremos um segundo semestre de forte retomada e o mundo está de olho no mercado infantil. Conheçam sua operação a fundo, seus custos, sua margem objetiva, suas metas de vendas. Se preparem e se estruturem da melhor forma possível. É hora de fazer a lição de casa para colher os frutos logo mais”, finaliza Tati.Diferentes empresas dos segmentos feminino, masculino e teen trouxeram lindas inspirações para o Verão 2023, incluindo o jeans e a sarja em suas coleções. Participaram dessa edição, marcas como Dimy Candy, Brandili, Kids Place, Precoce, Daya, Green, Bugbee, Daya, Ópera Kids, entre outras, que buscam por conforto, acima de tudo, peças com toque suave, leves e super divertidas.

É importante lembrar a valorização dos tecidos que ganham alta elasticidade, fibras nobres e novas tecnologias e a sustentabilidade presentes nas peças, tanto nos fios e fibras que podem ser reciclados, orgânicos até em lavanderia, com economia de água ou produtos químicos e nos tingimentos naturais.

Para o segmento feminino, a natureza surge como inspiração para diferentes peças em tons vivos ou esmaecidos e padronagens que passeiam entre a praia, o mar, flores estilizadas e o campo com animais. Há ainda desenhos de frutinhas como bananas e abacaxis e muitos listrados, além dos xadrezes, principalmente o vichy

Os looks esportivos e com referências ao universo feminino fazem sucesso em shorts com recortes arredondados, jaquetas com punhos e moletons com cadarços e elásticos. Ainda da moda adulta, surgem vestidos longos com lástex e faixas multicoloridas e saias com florais.

O shape saruel pode ser visto em macacões, calças em tecidos de algodão ou no denim. Batinhas e vestidos ganham babados e mangas abertas. O chambray no baby blue e a malha denim aparecem nos looks dos bebês até os maiorizinhos em jardineiras e macaquinhos. Os shorts em sarja são amaciados e ganham uma cartela de cores bem diversificada.

No masculino, muitas bermudinhas alongadas ou curtinhas em sarjas de algodão, moletom e tons vivos ou no cáqui e terrosos. O modelo cargo com uma profusão de bolsos faz sucesso. Entre as calças, há opções que vão desde a slim até a jogger ou comfort mais soltinha, ora com barra virada, ora com marcações, esbranquiçados e cerzidos.

As estampas, muitas vezes, exclusivas, trazem o universo infantil em meio à natureza, com bichos, folhagens, dinossauros, entre outros..


MODA INFANTIL

Moda infantil. Com que roupa eu vou?

Existem muitas variáveis influenciando esse tipo de compra: o perfil socioeconômico do público, seu estilo de vida, a situação de uso da roupa e a idade da criança

Em um casamento, a mulher observava pai e filho juntos, elegantes e bem vestidos. Como pedia a ocasião, os dois usavam roupas sóbrias, contemporâneas, mas com um toque clássico. O design transmitia estilo, refinamento e bom gosto. Como a roupa da criança era claramente inspirada na moda adulta, a mulher logo concluiu: “Veja, o menino gosta de se vestir como o pai”.

Nada mais enganador para avaliar o comportamento de compra de moda infantil. Existem muitas variáveis influenciando esse tipo de compra: o perfil socioeconômico do público, seu estilo de vida, a situação de uso da roupa e a idade da criança. Outra fonte de erros é avaliar o grande público a partir da observação de alguém próximo. Há grandes chances de que ele não represente o comportamento da maioria.

As empresas vendem para um público amplo que não é homogêneo. Compreender as diferenças de comportamento dos consumidores é um primeiro passo importante para o sucesso do negócio. Para isso, temos que recorrer a pesquisas ou a dados já disponíveis.

Nas compras das famílias, muitos pensam que a figura do pai é a mais importante por ele ainda ser responsável pela maior renda em muitas delas. Na verdade, ou ele é influenciado pela mulher ou simplesmente ela é a decisora da compra. A mulher é a grande compradora da família. E ela, por sua vez, pode ser influenciada pela criança, dependendo de alguns fatores.

Para roupas do dia a dia, a criança que mais influencia as compras é a que tem de 8 a 12 anos de idade. O comportamento dela não é mais típico da infância e ela norteia seu comportamento pela observação dos adolescentes. A chamamos de pré-adolescente. Seu poder de influência é tão grande que é considerada decisora da compra de suas roupas, mesmo que a compra em si seja feita pela mãe. A roupa, como mais um meio de auto-expressão, refletirá o estilo de vida dessa criança. Esse estilo é inspirado no dos adolescentes, mas com certa suavidade e inocência mais próximas da infância. Ainda não começou a fase de contestação e rebeldia de anos à frente.

Mas a influência da criança nas compras de roupas casuais começa antes, por volta dos 3 ou 4 anos de idade. Dessa fase até a idade de 7 ou 8, a criança já indica o que quer. A mãe, para não correr o risco de comprar uma roupa que ficará abandonada no armário, dá esse poder de escolha à criança. E esta se encantará com produtos que refletem seu imaginário. Essa é invariavelmente a fase da fantasia, da magia e do faz de conta. Os personagens e as brincadeiras reinam na mente dessa criança. Isso é inerente à sua fase de desenvolvimento. Para ela, os produtos coloridos, com personagens do momento, sempre têm sucesso em roupas acessíveis de uso diário.

Já na fase anterior, do nascimento até os 2 ou 3 anos, a criança tem uma grande dependência da mãe. Sua influência nas compras é quase nula. Os personagens vistos em produtos dessa fase – muitas vezes representados como bebês – são para encantar as mães. Essa criança se interessa pelas cores fortes. Mas as cores pastel que vemos nas roupas são consequência do que a maioria das mães gosta para seus bebês.

Os exemplos que demos são válidos para as roupas de uso diário. Mas há situações em que o critério de escolha e a influência de cada parte se alteram. É o caso das compras de roupas para situações mais formais ou sofisticadas, como festas, cerimônias e até certos passeios. A mãe, hoje mais empreendedora e independente, usa os produtos como forma de expressar sua ascensão social. As roupas dos filhos se enquadram nessa categoria também. Assim, para usos mais sofisticados, a influência da criança é bem menor. A consequência é que a roupa inspirada na moda adulta é muitas vezes a escolhida aqui.

A mudança da roupa conforme a situação de uso é muito clara nos adultos. Há situações em que o conforto é o mais importante. Em outras, sacrificamos conforto em nome da elegância. No caso da moda infantil, não muda apenas o tipo de roupa, mas também o papel e influência de cada um no processo de compra.

Da próxima vez em que for sair com seu filho, repare como são escolhidas as roupas e por que. Observando esses pontos, uma loja poderá escolher de forma mais adequada seu mix de compra e uma indústria poderá definir de forma mais focada qual público atender e qual produto oferecer. Sucesso na escolha!


Kids

Todos nós sabemos a importância da moda para as crianças, mesmo que inconscientemente. Você deve ter fotos de quando sua mãe te vestia para uma ocasião especial… Já as modas desajeitadas, as roupas que ficam um pouco justas demais, os vestidos combinando, ou os vestidos horrivelmente incompatíveis, ninguém quer mostrar por aí, né? Mas por que não deixar as crianças se aventurarem na moda, que nada mais é do que uma forma de se expressar.

Contudo, o que vemos são pais querendo ditar a moda de seus filhos. Por que deveria ser assim? Está escrito em algum lugar que as crianças não podem escolher suas próprias modas?

Seus filhos ficarão lindos independentemente do que vestirem: seja um vestido de princesa em uma tarde de sábado ou jeans rasgados para uma festa. A preocupação mais importante deve ser que eles tenham permissão para se expressar, para crescerem criativos, confiantes em suas escolhas, independentes e de mente aberta.

Não por acaso, a Academia Americana de Pediatria aconselha que as crianças devem poder escolher suas próprias roupas a partir dos 4 aos 5 anos.

Que tal você tentar?

Separamos algumas razões do por que a moda é importante para as crianças.

AUTO-EXPRESSÃO

Você pode ver seus filhos como meras “crianças”, mas é provável que eles não se vejam dessa forma. As crianças estão começando a definir suas personalidades a partir dos 4 anos de idade. E as roupas que vestem vão ser uma grande parte dessa definição. Por vezes, elas têm pouca liberdades em uma vida criada e estruturada por seus pais: isso é feio, isso é bonito, isso é legal, isso não… Oras, mas onde está a liberdade de expressão? Dê-lhes a oportunidade de experimentar e criar uma identidade para si próprios. É uma habilidade valiosa que contribuirá muito para construir confiança agora e no futuro.

SENTIR-SE ESPECIAL

Deixe a personalidade do seu filho brilhar! É fácil para as crianças seguirem a multidão, mas promover a individualidade ao encorajá-las a seguir sua própria direção fornece um modelo poderoso para desenvolver habilidades de liderança e independência.

É MAIS FÁCIL PARA ELES

Há coisas que merecem que lutemos por elas. Seu filho pode acreditar que vale a pena lutar pela escolha de roupa, mas você acredita que isso vale a pena? Pior ainda, ele comete algumas gafes da moda, mas você realmente quer forçar seu filho a usar roupas com as quais ele não se sinta confortável? Mães, relaxem, não vale o estresse extra.

ELES VÃO USAR O QUE QUEREM – NA VIDA!

Se você está se perguntando por que aqueles tênis no fundo do armário ainda têm suas etiquetas de preço, admita; seu filho simplesmente não gosta deles. Quando você gasta um bom dinheiro com as roupas de seus filhos, pode ser irritante encontrá-las penduradas no armário sem usar. Se você deseja obter o melhor retorno sobre seus investimentos, deixe a escolha com eles. Quanto mais eles escolhem, menos você perde.

Moda é importante para as crianças pois é uma forma de arte

Design de roupas, moda, “estilo” – seja qual for o nome que você escolher – tudo isso é arte e, como acontece com outras formas de arte, é uma forma de expressão, tanto por parte da pessoa que cria as peças, quanto àquela que escolhe o que usar . E por meio dessa expressão é possível enriquecer muito o campo da sensibilidade de seu filho.


O PODER DO MERCADO INFANTIL

Apesar da sociedade brasileira estar ficando mais velha, o mercado infantil está mais forte do que nunca. Quem investe nesse ramo aposta na seguinte lógica: os pais até deixam de comprar para eles, mas não deixam de comprar para os seus filhos. Mesmo com a queda das vendas nos tempos de crise, os gastos com os produtos para esse público não cessam. Varejistas de roupa para crianças crescem em média 6% ao ano, segundo dados da Abit. Parte dessa alta constante está na lógica por trás do ciclo normal de vida de uma pessoa. Até os três anos de idade a média de crescimento é de 12,5 centímetro ao ano, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Ou seja, os pais compram uma roupa para um filho e logo ele cresce, emagrece ou engorda, e não se pode adiar um novo investimento. Afinal de contas, eles preferem ficar anos sem uma novidade no armário do que deixar os filhos “maltrapilhos”.

Mas seria essa a única força desse público?

Segundo dados da Euromonitor, nos últimos seis anos, o volume de vendas anual de produtos desse segmento cresceu 45,6%, somente no Brasil. Passando de R$2,7 bilhões para R$3,9 bilhões. E mesmo que você não entenda de projeções e números complexos, dá para perceber como a juventude dominou o foco dos mercados. É só uma questão de observar algumas das principais indústrias do mundo.

Das dez maiores bilheterias da história do cinema, seis são produtos focados no público infanto-juvenil. O holofote do mercado nesses jovens tem transformado as indústrias culturais. Reed Hastings, CEO da Netflix, falou abertamente que seus maiores concorrentes não eram outras empresas de streaming como, por exemplo, HBO ou a Disney, mas sim o Fortnite. A indústria dos videogames é (de longe!) a maior do entretenimento mundial. Em 2018, os “consoles” atingiram seu maior patamar na história, faturando U$134 bilhões ao redor do mundo. Um crescimento de 17% em relação a 2017. Lógico que temos que levar em conta que com a popularização dos smartphones produtores de games encontram caminhos mais fáceis para chegar nos seus consumidores finais. Até mesmo jogos grátis faturam alto vendendo as famosas “skins”. O Fortnite, só para usar o exemplo acima, rendeu U$2,4 bilhões à Epic Games (empresa desenvolvedora) no ano passado só vendendo esse tipo de conteúdo.

Pode apostar que, onde existe uma multidão infantil pronta para gastar dinheiro, vai existir alguém pronto para lucrar.

Então, quem influencia esse público?

Na indústria não existe bobo! Empresas já entenderam o poder que os influenciadores têm sobre esse grupo. Essa fatia do mercado se caracteriza pela fidelidade com os produtores de conteúdo, ou produtos que eles gostam, e apresentam um comportamento de manada na defesa dos seus influencers favoritos. Prova disso é pegar qualquer fenômeno jovem, dos menudos (para os jovens de outrora) aos grupos de pop, e você verá que, mesmo com a diferença dos tempos, os comportamentos são correlatos: filas quilométricas para chegar perto do ídolo, muito merchandising vendido, shows lotados, etc. Só que agora, essa nova infância não frequenta mais os mesmos lugares e nem é impactada pelos mesmos meios de comunicação que nós fomos. Lembra de quando você assistia novela com sua família? Atualmente não existe isso. Hoje o mundo é conectado e é assim que essa geração é influenciada. Não é à toa que os canais do YouTube que focam nesse público são os mais bem-sucedidos no nosso país. Whimdersson Nunes, Felipe Neto, Luccas Neto, além de canais de curiosidades e games e até a Galinha Pintadinha e mais dois canais de funk (Kondzilla e GR6 Explode) são os dez canais de maior sucesso no Brasil.

E como ganhar esse game para sua marca?

O principal trunfo de qualquer marca que deseja investir nesse segmento é a empatia. Tentar entender às necessidades dos pais e das crianças é o que, no geral, garante a criação de produtos que irão fazer sucesso com esse público. A Associação CineMaterna que realiza seções de cinema para que mães e pais possam ir com seus bebês sem receber olhares de reprovação, já fez parceria com grandes marcas, como a Natura, empresa de cosméticos, por exemplo. Os próprios irmãos Neto, que entenderam que o público infantil não é todo igual e hoje criam conteúdos segmentados para crianças e adolescentes. Além é claro, da Reserva, grife de roupa masculina que ao perceber a necessidade dos pais de se vestirem como os filhos, criou a sua marca infantil, que atualmente dita moda para a principal.

Por fim, o que fica claro ao olharmos todos esses exemplos é que essas marcas conseguiram se colocar no lugar desse público e, foram bem-sucedidas porque apostaram nesse consumo quase que “sentimental”. E aí, que tal investir nesse universo?